Conexões entre pessoas e lugares podem ser a chave para a segurança dos espaços público

Conexões entre pessoas e lugares podem ser a chave para a segurança dos espaços públicos, Bons espaços públicos se conectam com as pessoas. Image © La Citta Vita, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0

Hoje, muitos espaços públicos são vistos como locais não tão seguros em milhares de cidades ao redor do mundo.  A noção de segurança é perdida no momento em que uma localidade se torna vazia, não recebe iluminação, uso ou até mesmo a atenção adequada. Conectar os espaços entre o que é público e o que é privado pode ser um trunfo para evitar isso. Esses espaços são chamados deplinth. O conceito é amplamente explorado em  A Cidade Ao Nível dos Olhos, livro que compila projetos que transformaram locais no mundo inteiro.

A publicação foi escrita por mais de 80 colaboradores, editada pela consultoria Stipo e montado em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Future of PlacesGehl ArchitectsPPS Project for Public SpacesCopenhagenize e pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O conteúdo se propõe a ajudar as cidades e os seus parceiros a desenvolverem estratégias para melhorar as cidades ao nível dos olhos.

Um dos grandes desafios das cidades atualmente é acomodar diferentes modais de transporte e devolver o protagonismo aos meios mais sustentáveis e seus agentes, os pedestres e ciclistas. Entre essa necessidade e as redes de vias com intenso fluxo de veículos estão as calçadas e os prédios. Plinths são os andares térreos dos prédios, onde ocorrem as interações, as pessoas se cruzam, onde o público, a rua, se conecta com o privado. “Bons plinths e bom espaço público compõem os dois lados de uma mesma moeda. Juntos, eles produzem a experiência da cidade ao nível dos olhos”, escrevem os autores Emiel Arends e Gábor Everraert em trecho do livro.

Um artigo de 2013, desenvolvido pela ONU-Habitat, apresentou a noção de cidades prósperas. Para se adequar ao termo, as cidades atuais devem apresentar um bom padrão de desenho urbano e, principalmente, reconhecer a relevância de espaços públicos bem planejados. Parques e praças ganham uma importância cada vez maior em cidades que desejam oferecer qualidade de vida para seus habitantes. Onde há essa preocupação, espaços verdes podem ser revitalizados e mantidos através de parcerias. Porém, manter as ruas e calçadas vivas é o que traz segurança a elas.

As pessoas se afastam intuitivamente de lugares vazios e sem interações. Elas procuram conexões. No bairro de Pendrecht, em Roterdã, o projeto Vissenkommen (Aquários) reformou o andar térreo de um prédio, dando mais luminosidade e segurança para os arredores. As edificações já eram caracterizadas por espaços abertos no térreo, planejados para serem locais para as crianças brincarem. Porém, devido à diminuição do número de famílias, as entradas tornaram-se mais vazias e passaram a apresentar problemas e perturbações. A renovação dos plinths, em 2000, se focou na preservação das conexões e da transparência do andar térreo. “Ao mesmo tempo, a introdução de novos materiais fez com que os limites entre público e privado estivessem claros como vidro, literalmente.”

Plinths são desenvolvidos em áreas heterogêneas, especialmente em pontos centrais das cidades e distritos próximos. Diferente do que se pode pensar, não são apenas os estabelecimentos comerciais que desempenham esse papel. Os autores apresentam o plano implantado em Roterdã, na Holanda, em 2008. Para transformar a paisagem composta por prédios pós-guerra, que ocupavam espaços longitudinais, com fachadas inexpressivas, a prefeitura da cidade introduziu o projeto “Para um Lounge da Cidade”. Plinths foram definidos como a combinação do espaço público, o andar térreo e os primeiros andares dos edifícios. Inserido no plano, muitos projetos de melhoria das ruas foram iniciados e, em 2011, foi lançada a estratégia de plinths: “Roterdã ao nível dos olhos”.

“Os proprietários (e as ações) em relação à melhoria de ruas e plinths podem ser divididos em três grupos distintos: espaço público, o programa e o prédio. Na nossa experiência, essa divisão permite a mistura adequada de intervenções e atores para uma revitalização do plinth bem-sucedida”, destacam.

Os autores também usam o conceito de espaços semipúblicos ou híbridos, que são justamente as calçadas em frente aos prédios, que podem chamar as pessoas a interagirem com o interior. Muitas vezes podem ser bancos, pequenas mesas, vasos com plantas ou até bicicletários. Elementos que fornecem beleza, luz ou que interagem com quem transita naquele espaço acabam por trazer mais movimento ao local.

Quantas ruas e avenidas conhecemos que são repletas de pedestres durante o dia, mas à noite tornam-se locais desertos, onde evita-se passar? O livro usa um exemplo de intervenção feita em Nairóbi, onde, em 2001, foi realizado um levantamento da vitimização no centro da cidade, mostrando que nos 12 meses anteriores, 37% dos cidadãos da cidade tinham sido vítimas de roubo. De todos os habitantes de Nairóbi que transitavam no centro urbano, 54% se sentiam inseguros durante o dia e 94% durante a noite. Para mudar esses números, as autoridades, mesmo com recursos limitados, decidiram tornar mão única uma das ruas mais movimentadas do local.

A Mama Ngina Street teve as calçadas alargadas, a iluminação urbana foi qualificada para criar mais segurança, entre outras medidas. “Vários novos bares foram abertos, enriquecendo o programa noturno na rua, cuja vitalidade melhorou drasticamente. Mais pessoas se encontram, sentam e desfrutam da rua. Hoje é comum ver as pessoas se aglomerarem em uma das esquinas para discutir vários acontecimentos e assuntos atuais, particularmente sócio-políticos”, exalta o texto de Elijah Agevi, Cecilia Andersson e Laura Petrella.

Placemaking

Tornar ruas, praças e áreas em lugares que convidam pessoas a ficar é a atividade chamada de placemaking. “Com os modelos de desenvolvimento modernos, perdemos a habilidade de criar espaços ou nós de atividades ao longo da rua. Temos que ter um engajamento maior em compreender melhor a vida na rua e a vida nas calçadas”, escrevem os autores Fred Kent e Kathy Madden. A prática serve para dar significado às coisas e aos espaços, com ações que não dependem tanto de recursos financeiros, mas dependem da resposta das pessoas. “É o melhor e o mais seguro para-choques (um para-choques mais suave e adequado) que a humanidade encontrou depois de séculos construindo lugares.”

Espaços podem contribuir socialmente em todas as cidades ao se transformaram em lugares. Se isso parece difícil, o psicólogo social Francisco Pailliè Pérez apresenta três princípios para a criação de “ótimos lugares”:

Imaginação: Em alguns casos, o desempenho de uma rua poderia ser melhor se ela funcionasse como um mercado, um estacionamento pode funcionar como cinema ao ar aberto, ou uma viela abandonada como uma galeria.
Construção coletiva: Há uma grande diferença entre desenhar para pessoas e desenhar com as pessoas. No final, lugares são para isso, reunir-se e compartilhar as visões da vida com outros.
Escala Humana: Temos de lembrar que tudo que criamos deve ser baseado nas escalas naturais, humanas, porque terá impacto direto na maneira com que as pessoas usam o espaço.

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/795022/conexoes-entre-pessoas-e-lugares-podem-ser-a-chave-para-a-seguranca-dos-espacos-publicos

Planejamento urbano e acesso ao transporte também afetam a saúde mental

A cidade pede atenção, os carros pedem passagem, o barulho invade o espaço físico e mental. Nenhum desses pedidos vem com aviso prévio e muitas vezes sequer são percebidos. O cenário urbano infiltra-se na rotina por todos os lados e vieses. Ainda que esses elementos passem despercebidos ou assimilados de forma natural, eles requerem atenção e esforço mental. Isso, somado à perspectiva de que 70% da população esteja morando nas cidades até 2050, faz com que cada vez mais sejam feitos estudos que refletem a relação entre planejamento urbano, arquitetura e saúde mental.

Os estudos somam esforços para entender como a vida urbana afeta o desenvolvimento cognitivo dos habitantes e qual o papel da cidade no desenvolvimento de transtornos mentais. Por outro lado, existem também pesquisas que pontuam os aspectos positivos dos centros urbanos. Elas analisam a inter-relação entre a vida humana e o ambiente que escolhemos para morar, do estresse causado por engarrafamentos até o bem-estar proveniente da arborização urbana.

O cérebro se adaptou às cidades

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A igual divisão entre o espaço rural e urbano que o povo Himba tomou, na Namíbia, serviu como base de estudo para cientistas da Universidade de Londres. Em um dos experimentos, os pesquisadores empregaram uma tarefa básica de atenção espacial. Todos os participantes precisavam seguir um alvo em uma tela, indicado por setas, e deveriam ignorar as setas que apontavam em outras direções. Os habitantes que habitavam a zona rural ou mais remota apresentaram mais foco durante a tarefa.

A conclusão dos cientistas foi que o cérebro das pessoas que vivem no interior parece pronto a focar imediatamente em uma tarefa apresentada. Em contrapartida, os habitantes da cidade mostram-se preparados para explorar o cenário em constante mudança da vida urbana. Essa distinção, no entanto, demonstra apenas como a cidade condiciona seus moradores a funcionarem de maneira diferente.

Existem, como essa, diversas outras análises sobre o ambiente urbano. Estudos sobre a densidade, o uso do solo, a segurança viária, o desenho urbano e o impacto dos transportes tendem a apresentar bons resultados no ramo da saúde em geral, seja em impactos sociais ou econômicos, mas são poucos os estudos que levam em conta a saúde mental. Existem aprofundamentos que levam em conta a poluição sonora e visual e a falta de acesso a espaços verdes e o impacto que isso causa para o bem-estar das pessoas.

Essa foi a premissa adotada por um grupo de pesquisadores italianos para analisar a relação entre o ambiente urbano e o impacto na saúde mental dos habitantes. Independentemente dos papéis desempenhados pelos bairros e a desvantagem social individual. A análise foi feita a partir das variações na prescrição de antidepressivos em relação às dimensões específicas do ambiente construído em volta – densidade urbana, uso misto do solo, áreas verdes, serviços públicos, acessibilidade por meio de transportes públicos.

As análises foram feitas em Turim, na Itália, e o resultado obtido sobre a incidência de sintomas depressivos entre os adultos, medida pela prescrição de antidepressivos, diminuiu com a melhoria de algumas características específicas do ambiente urbano. Mas, principalmente, aos efeitos da densidade urbana e da acessibilidade ao transporte público. Em ambos os casos, os efeitos foram mais evidentes entre as mulheres e os idosos.

Em conclusão, os resultados da pesquisa sugerem que a distribuição de receitas de antidepressivos é, além de outros fatores conhecidos, sim, influenciada por alguns componentes urbanos. Os elementos da saúde mental devem, portanto, ser levados em conta ao se pensar “políticas urbanas e investir na prestação de serviços que melhoram fatores de resiliência, acima de tudo, investir em uma boa rede de transportes públicos, de uma forma cuidadosa e igualitária em toda a cidade”, destaca o estudo.

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Sobre as evidências que apontam efeitos maiores em mulheres e idosos, o estudo indica que deve ser dada atenção aos grupos socialmente vulneráveis. Serviços de acessibilidade e de transporte podem ser facilmente modificados pelos tomadores de decisão como uma medida de compensação quando é impossível fornecer um serviço igualitário para todos. No escopo das bicicletas, falamos sobre a desproporção entre homens e mulheres e como a infraestrutura urbana não é amigável o suficiente para que todas as mulheres se sintam encorajadas a pedalar pela cidade.

Cidades são estruturas complexas, tanto quanto o cérebro humano. No entanto, a identificação de alguns elementos estressantes no ambiente urbano, como a pouca densidade e a falta de acesso ao transporte público, pode ajudar a pensar cidades melhores para as pessoas. Esses elementos podem, portanto, ser levados em conta por urbanistas para beneficiar, a partir do planejamento urbano, a cognição e a nossa saúde mental.

Fonte: http://thecityfixbrasil.com/2016/06/17/elementos-do-planejamento-urbano-que-afetam-a-saude-mental-de-quem-vive-nas-cidades/

Professores são contra empreendimento previsto para o Cais Mauá

Departamento: IAB RS

Professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgaram, na segunda-feira, 30 de maio, manifesto contra o empreendimento previsto para a reocupação do Cais Mauá, em Porto Alegre. O grupo defende novo uso ao espaço público, mas não nos moldes preconizados pela administração municipal. O consórcio Cais Mauá do Brasil pretende construir no local três torres para escritórios e hotel –  elas poderão atingir 100 metros de altura, três metros a menos do que a chaminé do Gasômetro – e um centro comercial à beira do Guaíba.

Os autores do manifesto dizem que o empreendimento previsto para a área pública do Cais Mauá expressa uma concepção anacrônica em termos urbanísticos, sociais, ambientais e políticos. “Construir prédios monofuncionais, como são os shopping-centers ou edifícios-garagem, prédios comerciais por excelência, não tornará o Cais Mauá um bom lugar para a convivência dos porto-alegrenses”, diz trecho do documento.

Leia, abaixo, a íntegra do manifesto em defesa do Cais Mauá

Manifesto de Professores da UFRGS em defesa do Cais Mauá

Nós, grupo de professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cumprindo a função obrigatória de colaboração com a sociedade e as políticas públicas do país, vimos a público manifestar nossa posição contrária ao empreendimento previsto para a reocupação do Cais Mauá, berço da cidade de Porto Alegre e patrimônio histórico, cultural e paisagístico da capital do Rio Grande do Sul. Somos totalmente favoráveis a que seja viabilizado um novo uso a esse espaço público de crucial importância para a história da cidade, mas não nos moldes preconizados pela administração municipal.

O empreendimento previsto para a área pública do Cais Mauá expressa uma concepção anacrônica em termos urbanísticos, sociais, ambientais e políticos. Fundamenta-se em um paradigma urbanístico já superado há pelo menos duas décadas, como demonstra a literatura e os casos exitosos de reformas que vêm sendo implementadas países centrais e da América Latina. Tomando como referência o princípio técnico consagrado de que um bom lugar é aquele com animação e o que a gera é a diversidade, entendemos que áreas especializadas devem ser evitadas ou enfrentadas por meio de políticas públicas visando à diversidade. Construir prédios monofuncionais, como são os shopping-centers ou edifícios-garagem, prédios comerciais por excelência, não tornará o Cais Mauá um bom lugar para a convivência dos porto-alegrenses.

Da mesma forma, é um contrassenso que a Prefeitura de Porto Alegre realize um empreendimento que prevê a atração de milhares de veículos privados em uma área já congestionada. O transporte público de qualidade associado a outros modais não poluentes, como as bicicletas, são meios que expressam não somente a democratização do espaço – limitando o “carrocentrismo” – mas, também, o enfrentamento dos problemas ambientais. Porto Alegre é a metrópole do país com o segundo pior índice de poluição do ar.

Ainda, a preservação da paisagem urbana e do patrimônio histórico e cultural é um ativo fundamental para a atração de pessoas e afirmação da identidade dos lugares. Nossa cidade tem o privilégio de ter uma imagem clara e estabelecida, mas no lugar de aperfeiçoá-la permitindo usos públicos para recreação, lazer e turismo, propõe-se sua descaracterização. O desenho do empreendimento desvaloriza o caráter singular, natural e histórico do lugar.

Por princípio, espaços públicos qualificados atraem pessoas, gerando recursos, polarizando atividades econômicas complementares e compatíveis com atividades culturais, recreativas e de lazer, valorizando o entorno e diminuindo a insegurança. O empreendimento previsto trará uma ocupação fomentadora de segregação e de elitização. Contraria, portanto, o princípio da função social da cidade inscrito no Estatuto da Cidade.

Não encontrando explicação tecnopolítica, entendemos que tal empreendimento retrógrado só pode ser explicado pelos interesses escusos de mercantilização de um espaço público de alto valor imobiliário. A esse respeito, o argumento da necessidade imperiosa de parceria público-privada para a reocupação do Cais Mauá é descabido e soa falacioso. O custo previsto para a recuperação dos armazéns do Cais é de R$ 43 milhões. Ora, a obra que está sendo realizada na orla do Guaíba com recursos oriundos de financiamento obtidos pela Prefeitura (entre a Usina do Gasômetro e a rótula das Cuias) está estimada em R$ 62 milhões. Um simples cálculo demonstra que os armazéns do Cais Mauá poderiam ser restaurados realisticamente com recursos mobilizados pelo município.

Justamente a capital que se destacou no mundo pela prática da democracia participativa, é lamentável que uma decisão de tamanha importância, para a identidade da cidade, não tenha tido qualquer abertura para o debate com a sociedade. Em vez de chamada pública para o concurso de projetos urbanísticos, prática que permite a pluralidade de ideias e concepções, o que se viu foi uma prática de cima para baixo e o rechaço aos apelos para uma verdadeira abertura do debate público sobre a reocupação do Cais Mauá.

Pelas razões expostas, nos somamos aos movimentos sociais e instituições profissionais, apelando para que a atual gestão da Administração Municipal rescinda o contrato com o consórcio Cais Mauá S.A., e abra ampla discussão com a sociedade porto-alegrense sobre o destino a ser dado para o importantíssimo espaço público do Cais Mauá.

LISTA DE PROFESSORES QUE ASSINAM O MANIFESTO

Adriana Dorfman. Doutora em Geografia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Geografia. Instituto de Geociências

Adriana Schmidt Dias. Doutora em Arqueologia. Departamento de História.

Alessander Kerber. Doutor em História. Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História

Alexandre Virgínio. Doutor em Sociologia. Departamento de Sociologia.

Álvaro Krüger Ramos. Doutor em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística

Aragon Erico Dasso Junior. Doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Departamento de Ciências Administrativas

Álvaro Luiz Heidrich – Doutor em Geografia. Departamento Geografia e do Programa de Pós Graduação em Geografia.

Alzira Maria Baptista Lewgoy. Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Departamento de Serviço Social

Antonio David Cattani. Professor Titular do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Arlei Sander Damo – Doutor em Antropologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social

Bernardo Lewgoy. Doutor em Antropologia. Departamento e do Programa de Pós Graduação em Antropologia Social

Caleb Faria Alves. Doutor em Antropologia. Departamento de Antropologia Social.

Carlos Alberto Saraiva Gonçalves. Doutor em Bioquímica. Departamento de Bioquímica

Carlos Schmidt. Doutor em Socioeconomia do Desenvolvimento. Docente aposentado do Departamento de Economia.

Cássio da Silva Calvete. Doutor em Economia Aplicada. Faculdade de Ciências Econômicas

Cláudia Zanatta. Doutora em Arte Público y Poéticas Visuais. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais. Instituto Artes

Cinara Rosenfield. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia.

Cornelia Eckert. Doutora em Antropologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social

Darci Campani – Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental. Departamento de Engenharia Mecânica

Domingos Sávio Dresch da Silveira. Mestre em Direito. Faculdade de Direito.

Eber Marzulo. Doutor em Planejamento Urbano e Regional. Departamento de Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.

Eglê Kohlrausch. Doutora em Enfermagem. Departamento de Assistência e Orientação Profissional. Escola de Enfermagem.

Eduardo Filipi. Doutor em Economia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Economia

Elizabete Zargo Burigo. Instituto de Matemática.

Emerson Giumbelli. Doutor em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia

Enio Passiani. Doutor em Sociologia. Departamento de Sociologia

Eunice Kindel. Doutora em Educação. Ensino de Ciências da Faculdade de Educação

Fabio Meira – Doutor em Administração. Escola de Administração e do Programa de Pós-Graduação em Administração.

Felipe Gonçalves Silva. Doutor em Filosofia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia

Fernando Coutinho Cotanda. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Fernando Fau

Francisco Marshall. Doutor em História. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História

Francisco Egger Moellwald. Doutor em Educação. Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS.

Gisele Secco. Doutora em Filosofia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia

Gislei Domingas Romanzini Lazzarotto. Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia.

Glaucia Campregher. Doutorado em Ciências Econômicas. Faculdade de Ciências Econômicas

Glenda Pereira da Gruz. Doutora em História Ibero-Americana. Professora aponsentada do Departamento de Arquitetura. Faculdade de Arquitetura

Guilherme Dornelas Camara. Doutor em Administração. Escola de Administração

Gustavo Grohmann. Doutor em Ciência Política. Departamento de Ciência Política.

Helen Osório. Doutora em História. Departamento de História.

Helena Maria Cabeda Petrucci. Faculdade de Arquitetura

Heleniza Ávila Campos. Doutora em Geografia. Departamento de Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.

Hélio Custódio Fervenza. Doutor em Artes Plásticas. Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes.

Icleia Borsa Cattani – Doutora em história da arte. Professora aposentada do Instituto de Artes

Jalcione Almeida. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Joacir T N Medeiros. Instituto de Física

João Farias Rovati. Doutor em Arquitetura e Urbanismo. Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional

João Werner Falk. Doutor em Medicina. Departamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina

Jônadas Techio. Doutor em Filosofia. Departamento de Filosofia

José Carlos Baracat Junior. Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Instituto de Letras

Júlio Celso Borello Vargas. Doutor em Sistemas de Transporte. Faculdade de Arquitetura

Karl Monsma. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Lorena Fleury. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Lorena Holzmann. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Dociologia

Luciana Lima. Doutora em Ciencias Sociais. Curso de Políticas Públicas e Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas

Luciana Neves Nunes. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística

Luciano Fedozzi. Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Luiz Augusto E. Faria. Doutor em Economia. Departamento de Economia e Relações Internacionais e Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais

Luis Artur Costa. Doutor em Informática na Educação. Departamento de Psicologia Social e Institucional e do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional

Luis Felipe Nascimento. Doutor em Economia e Meio Ambiente. Escola de Administração

Maíra Baumgarten. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Maíra Rossato. Doutora em geografia. Colégio Aplicação

Marcelo Kunrath da Silva. Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Marco Paulo Stigger. Doutor em Educação Física. Escola Superior de Educação Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação Física

Marcelo Milan. Doutorado em Economia. Departamento de Economia e Relações Internacionais

Mariana Baldi. Doutora em Administração e Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração

Maria Ceci Araujo Misoczky. Doutora em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração

Maria Eunice Maciel. Doutora em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia

Maria Ines Azambuja. Doutora em Medicina. Faculdade de Medicina Saúde Urbana.

Maria Ivone dos Santos. Doutora em Artes. Departamento de Artes Visuais e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes.

Maria Tereza Flores Pereira. Doutora em Administração. Escola de Administração

Marilis Lemos Almeida Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Mathias Seibel Luce. Doutor em História. Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História.

Melissa Pimenta. Doutora em Sociologia. Departamento de Sociologia.

Miriam Telichevesky. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística

Mônica Torres Bonatto. Doutora em Educação. Colégio de Aplicação/UFRGS

Nelson Luiz Sambaqui Gruber. Doutor em Geociências. Departamento de Geografia

Nina Simone Vilaverde Moura. Doutora em Geografia. Departamento Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia

Paulo Abdala. Doutor em Administração. Escola de Administração.

Paulo Francisco Slomp. Doutor em Educação. Faculdade de Educação.

Paulo Roberto Rodrigues Soares. Doutor em Geografia. Departamento Geografia e do Programa de Pós Graduação em Geografia

Pedrinho Arcides Guareschi. Doutor em Psicologia Social. Departamento de Psicologia Social e Institucional

Pedro Costa. Doutor em Administração. Escola de Administração

Rafael Kruter Flores. Doutor em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração

Raphael Zillig. Doutor em Filosofia. Departamento de Filosofia

Raquel Weiss. Doutora em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Regina Celia Lima Xavier. Doutora em História. Departamento e Pós-Graduação em Historia

Regina Weber. Doutora em Historia. Departamento de História.

Renato Paulo Saul. Doutor em Sociologia. Professor Titular aposentado Departamento de Sociologia

Rita Sobreira Lopes – Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia.

Robert Ponge. Doutor em Letras. Professor Titular aposentado do Instituto de Letras e docente convidado permanente do PPG em Letras.

Roberto Verdum. Doutor em Geografia. Departamento Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia

Robinson Achutti. Doutor em Antropologia Visual. Departamento e Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes

Rosa Angela Chieza- Departamento de Economia e Relações Internacionais. Faculdade de Ciências Econômicas.

Rosimeri Carvalho da Silva. Doutora em Administração. Escola de Administração e Programa de Pós-Gradução em Administração

Rúbia Vogt. Mestre em Filosofia. Colégio de Aplicação.

Sheila Borba. Doutora em Sociologia. Departamento de Sociologia

Simone Mainieri Paulon. Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia

Sílvia Altmann. Doutora em Filosofia. Departamento e Programa de Pós-Graduação de Filosofia da UFRGS

Silvia Regina Ferraz Petersen. Doutora em História. Departamento de História

Suzi Camey. Doutora em Epidemiologia. Departamento de Estatística. Diretora do Instituto de Matemática e Estatística.

Sueli Goulart. Doutora em Administração. Escola de Administração

Taís C. E. Frizzo. Colégio de Aplicação/UFRGS

Takeyoshi Imasato. Doutor em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração

Vanessa Marx. Doutora em Ciência Política. Departamento de Sociologia

Vera Lima. Doutora em Química Farmacêutica Medicinal. Faculdade de Farmácia e Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas

Virgínia Maria Rodrigues. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática. Departamento de Matemática Pura e Aplicada.

Zita Possamai. Doutora em História. Coordenadora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Educação.

Walter Nique. Doutor em Marketing. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração

Fonte: http://www.iab.org.br/noticias/professores-sao-contra-empreendimento-previsto-para-o-cais-maua

Árvores na paisagem urbana – um guia para os planejadores e autoridades

por

 

Tree and Design Action Group é um grupo que compartilha a visão coletiva de que a localização das árvores, e todos os benefícios que elas trazem, pode ser garantida para as gerações futuras se influenciarmos o planejamento, projeto, construção e gestão de nossa infraestrutura e espaços urbanos.

As árvores fazem os lugares funcionarem e parecerem melhores. Além de desempenhar um papel no microclima de nossos bairros, as árvores também podem ajudar a criar condições para o sucesso econômico. O guia Trees in the Townscape apresenta uma abordagem atual para a arborização urbana, disponibilizando às autoridades e profissionais, princípios e referências necessários para alcançar o potencial da vegetação no ambiente urbano.

Esta é uma abordagem que aceita o ritmo correspondente aos desafios de nossos tempos. Trees in the Townscape oferece um conjunto abrangente de 12 princípios orientados para a ação que podem ser adaptados aos diferentes contextos de cada cidade.

A quem o guia é destinado?

Os 12 princípios foram pensados para todos os envolvidos em tomar ou influenciar as decisões que moldam os espaços e lugares em que vivemos. Eles são particularmente relevantes para os membros locais eleitos, políticos e grupos da comunidade. O guia também é útil para profissionais que usam seus conhecimentos técnicos para melhorar o ambiente construído, como, por exemplo, arquitetos, engenheiros, paisagistas e urbanistas.

Como foram desenvolvidos os 12 princípios?

Este guia foi desenvolvido pelo Tree and Design Action Group com base em mais de 40 entrevistas e uma ampla consulta com os profissionais envolvidos na criação e manutenção do ambiente construído, incluindo arquitetos, urbanistas, engenheiros civis, seguradoras, desenvolvedores, designers, especialistas em sustentabilidade, ecologistas, acadêmicos e organizações não lucrativas especializados em engajamento comunitário e sustentabilidade.

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Veja, a seguir, uma breve descrição de cada um dos 12 princípios:

PLANO

1- Conheça os recursos da vegetação
Criar e manter registros de fácil uso da cobertura florestal existente, da natureza e da condição da “população” de árvores.

2- Tenha uma estratégia abrangente
Produzir, adotar e implementar uma estratégia de colaboração para a proteção, desenvolvimento e gestão da cobertura vegetal urbana que esteja em sintonia com as necessidades e aspirações locais.

3 – Incorpore a vegetação em políticas e outros planos urbanos
Adotar normas claras para a proteção, cuidados e plantio de árvores em planos locais.

PROJETO

1- Crie locais adequados para as árvores
Crie lugares onde espécies de árvores podem prosperar e oferecer sua gama completa de benefícios sem causar incômodo às pessoas.

2- Escolha as espécies certas
Selecione e use as espécies adequadas aos diferentes contextos.

3- Busque múltiplos benefícios
Aproveite toda a gama de benefícios das árvores pode gerar como parte de um sistema de infraestrutura verde local, focando nas principais aspirações locais.

PLANTIO / PROTEÇÃO

1- Adquira exemplares saudáveis
Plante árvores saudáveis e vigorosas que foram devidamente condicionadas a prosperar no ambiente em que elas serão destinadas a viver.

2- Forneça solo, ar e água despoluídos
Certifique-se de que as árvores têm acesso aos nutrientes, oxigênio e água de que necessitam para realizar o seu potencial genético de crescimento e longevidade.

3- Envolva as partes interessadas

Trabalhe com as partes interessadas – profissionais e comunitárias políticos locais – para defender o valor das árvores na paisagem urbana.

GERENCIAMENTO / MONITORAMENTO

1- Assuma uma abordagem de gerenciamento de bens
Informe todas as decisões de planejamento, gestão e investimento com detalhes sobre os custos e o valor gerado pelas árvores.

2- Tenha consciência dos riscos (em vez de ter medo deles)
Adote uma abordagem equilibrada e razoável em relação à gestão da segurança.

3- Ajuste a gestão segundo suas necessidades
Realize uma manutenção proativa e personalizada na vegetação para garantir melhores benefícios em resposta às necessidades locais.

Para acessar o guia completo, clique guia.

 

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/774540/arvores-na-paisagem-urbana-um-guia-para-os-planejadores-e-autoridades/560ac385e58ece0d3d00008a-arvores-na-paisagem-urbana-um-guia-para-os-planejadores-e-autoridades-imagem

12 critérios para determinar um bom espaço público

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

“New City Life” é um livro que oferece uma revisão intregral da história da vida urbana, desde a sociedade industrial, até a sociedade de consumo. Entre os vários aspectos presentes na publicação, talvez o que mais se destaca é a evolução ocorrida na concepção da qualidade dos espaços públicos, uma vez que, se para muitos estes espaços possuíam um papel secundário, hoje esses espaços são cruciais para o desenvolvimento das cidades e sua integração com os habitantes. A partir disto, os autores condensaram seus princípios em 12 pontos que permitem diagnosticar se um lugar se classifica ou não como um bom espaço público.

Escrito pelos urbanistas dinamarqueses Jan Gehl, Lars Gemzøe e Sia Karnaes, e publicado em 2006, serviu como base para que a jornalista Natália Garcia, em conjunto com as artistas Juliana Russo, Marina Chevrand e Calu Tegagni, criassem o projeto que foi parte da exposição “Cidades para as Pessoas”, que aconteceu na Galeria Cultural Matilha, em São Paulo.

A seguir, os doze critérios.

1. Proteção contra o Tráfego

O primeiro princípio dos autores dinamarqueses considera que as cidades devem oferecer segurança aos pedestres, para que possam se locomover com total segurança  pelas ruas, sem ter a constante preocupação de que serão atingidos por um veículo. Esta perspectiva também sugere educar os pedestres a ter precaução e ensiná-los que não existem motivos para temer o trânsito de veículos.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

2. Segurança nos espaços públicos

Para que os espaços públicos sejam seguros e permitam a circulação das pessoas, é importante que exista a possibilidade de realizar atividades noturnas, um requisito essencial para que as pessoas se sintam seguras é contar com boa iluminação.

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3. Proteção contra experiências sensoriais desagradáveis

As condições climáticas nem sempre são as melhores para se realizar atividades ao ar livre, por isso, os lugares públicos deveriam incluir áreas adequadas para proteger-se do calor, da chuva e do vento, e evitar, assim, uma experiência sensorial incômoda. Se considerarmos que as áreas verdes ajudam a aliviar o calor, a poluição e os ruídos, a sua multiplicação em áreas urbanas deveria ser uma medida incentivada pelos órgãos responsáveis.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

4. Espaços para caminhar

Para que os espaços públicos atraiam pessoas a fim de caminhar, é importante que estes apresentem certas características em toda a sua extensão. Neste sentido, se existem fachadas interessantes de edifícios e superfícies regulares que garantam o acesso a todos, este critério se cumprirá em toda sua totalidade. Além disso, se as superfícies e os acessos são adequados, deficientes físicos também poderão se desfrutar destes locais.

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5. Espaços de permanência

O quinto critério presente no livro considera que os lugares públicos devem ser agradáveis para que as pessoas possam permanece por grandes intervalos de tempo e apreciar as fachadas e paisagens que a cidade oferece.

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6. Ter onde se sentar

Ao percorrer espaços públicos que recebem numerosas visitas, um dos aspectos mais comuns é que a disponibilidade de assentos não é suficiente. Para que isso não siga ocorrendo, os urbanistas dinamarqueses postulam que se deve aumentar a quantidade de mobiliário urbano nestes espaços públicos – grandes avenidas, parques e praças. Desta forma, não apenas se organiza a circulação das pessoas, mas também se estabeleçam as funções dos lugares. Como produto disto, pode-se destinar lugares para descanso, lazer, leitura, etc.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

7. Possibilidade de observar

Embora nem sempre os espaços públicos sejam lugares ao ar livre, o livro argumenta que se deve garantir visuais para paisagens para que os cidadãos tenham possibilidade de contemplar as perspectivas da cidade.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

8. Oportunidade de conversar

Os espaços públicos, entendidos como locais de lazer e de encontro, devem contar com um mobiliário urbano que convide e fomente a interação entre as pessoas. Para que isto seja possível, devem existir baixos níveis de ruído que permitam que as pessoas possam conversar sem interrupções. Assim, os lugares públicos não devem estar próximos a locais com ruídos desagradáveis, como os de motores de veículos.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

9. Locais para se exercitar
Nos últimos anos, as praças de Santiago (Chile) vêm incluindo aparelhos de exercícios com o objetivo de incentivar um estilo de vida menos sedentário e por fim, mais saudável. Esta tendência poderia representar uma primeira tentativa de cumprir com este critério que estabelece que os locais públicos devem garantir o acesso à equipamentos esportivos à todos os cidadãos.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

10. Escala Humana

Quando se constroem grandes obras, o ideal é que se garanta que os cidadãos possam se relacionar com esta nova infraestrutura em uma escala humana, ou seja, as dimensões não superem aquilo que está ao alcance de uma pessoa comum. Por exemplo, a cidade e seus espaços públicos deveriam ser constituídos a partir de uma escala humana, levando em conta a perspectiva dos olhos das pessoas.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

11. Possibilidade de aproveitar o clima

Nas regiões com clima mais extremo, as atividades ao ar livre tendem a ser limitadas. Para potencializar estas atividades, devem ser criados espaços públicos que se relacionem com o clima e a topografia da cidade onde serão construídos.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

12. Boa experiência sensorial

Os parques tendem a conectar as pessoas com seus sentidos a um nível comumente inatingível em outros espaços urbanos. Para fomentar esse vínculo, os espaços públicos devem contar com bons acessos e pontos de encontro com a natureza, através da presença de animais, cursos de água, árvores e outras plantas. Do mesmo modo, para assegurar que os visitantes permanecem mais tempo no lugar, devem contar com um mobiliário urbano cômodo, que tenha um desenho e acabamento de qualidade e que esteja feito com bons materiais.

Courtesy of Marina Chevrand y Calu Tegagni

Quando Jan Gehl visitou a mostra que esteve disponível também em Copenhagen, disse que “nenhuma criança pede algo de natal que não conheça, e as pessoas nunca vão pedir melhoras em suas cidades que já não estejam em seu repertório”. Desta forma, procura-se incentivar que as pessoas inicialmente se informem sobre quais possibilidades de qualificação para os espaços que vivenciam.

Esses critérios permitem criar um mosaico de ideias que poderiam ser implementadas em espaços públicos futuros ou que poderiam ser executados nos lugares já existentes que contam com algumas deficiências.

FONTE: http://www.archdaily.com.br/br/01-115308/12-criterios-para-determinar-um-bom-espaco-publico

Dez modos de transformar as cidades através de placemaking e espaços públicos

Em 2011, Un-HABITAT e Project for Public Spaces (PPS) assinaram uma cooperação de 5 anos que pretende chamar a atenção internacional sobre a importância dos espaços públicos nas cidades, fomentar trocas de ideias e educar uma nova geração de planejadores, projetistas, ativistas comunitários e outros líderes civis sobre os benefícios daquilo que chamamos “metodologia de placemaking”. Esta parceria está ajudando no desenvolvimentos de cidades onde pessoas de todas as classes sociais e idades possam viver em segurança social e econômica. Para alcançar este objetivo, foram publicados 10 passos informativos sobre as medidas que as cidades e comunidades podem tomar para melhorar a qualidade de seus espaços públicos.

Joan Clos i Matheu, diretor executivo da UN-HABITAT acredita que “o que define o caráter de uma cidade são seus espaços públicos, não os privados. O que define o valor dos bens privados não são os próprios bens, mas os bens comuns. O valos daquilo que é público interfere no valor daquilo que é privado. Precisamos mostrar todos os dias que os espaços públicos são um bem da cidade.”

Construir cidades inclusivas, saudáveis, funcionais e produtivas é, talvez, o maior desafio da humanidade nos dias de hoje. Mas quando isso é alcançado, é o estopim para o desenvolvimento econômico, para o sentimento de comunidade, para a identidade cívica e cultural. Investir, mesmo que pouco, na qualidade dos espaços públicos significa um retorno para a cidade.

Tendo em vista que a urbanização é a realidade definitiva do século XXI e que ela ocorre mais rapidamente em locais sem planejamento urbano, UN-HABITAT e PPS consideram o método de placemaking para criar locais onde a comunidade se sinta incluída e engajada, e onde o projeto serve às funções básicas inerentes ao encontro e troca entre pessoas. O processo identificará e catalizará lideranças, fundos e investimentos locais, baseando-se nas qualidades e habilidades de cada comunidade, ao invés de simplesmente se basear em profissionais especialistas .

Os 10 passos são:

1. Melhorar as ruas como espaços públicos

Ruas são, fundamentalmente, espaços públicos das cidades, apesar de muitas apresentarem o conflito entre o tráfego de automóveis e pessoas. Por isso, o placemaking encoraja o planejamento das cidades voltado para as pessoas e os lugares, não apenas para os carros. A rua ideal deveria suportar diferentes modos de transporte, seja carro, bonde, bicicletas ou pedestres, e funcionaria de maneira paralela para cada um deles. Planejar uma hierarquia de corredores, variando de grandes bulevares a pequenas ruas pode propiciar uma maior interação entre as ruas e os edifícios. Criar ruas adequadas aos pedestres geralmente cria espaços de interação interpessoal e fomenta um sentido de comunidade que é impossível em ruas exclusivas para veículos.

2. Criar praças e parques voltados a múltiplas atividades.

Se as praças e parques públicos são planejados uso público, eles criam economias locais, orgulho cívico, conexões sociais e contato humano. Estes espaços servem como “válvulas de segurança” para uma cidade, onde pessoas podem encontrar tanto um local para relaxar, se o parque ou praça foi bem concebido, ou sentir medo e perigo se foram mal planejados. Os espaços públicos mais bem sucedidos são aqueles que abrigam múltiplos usos, com muitas atrações e atividades, onde os cidadãos podem encontrar pontos em comum e as tenções econômicas e étnicas podem passar despercebidas.

3. Fomentar a economia local através de mercados públicos

Historicamente, a função essencial dos centros urbanos era servir de ponto de cruzamento onde as pessoas se encontravam para trocar bens e ideias, e os mercados públicos foram o coração de maior parte das cidades desde os tempos antigos. Mercados são tradicionalmente os lugares mais produtivos e dinâmicos das nossas cidades, onde a troca de notícias, e boatos acontece e onde as pessoas solidificam os laços sociais essenciais para uma sociedade sadia. Mercados significam muitas coisas para as cidades, eles encorajam o empreendedorismo, sustentam as áreas rurais em torno das cidades, estreitando os laços entre o urbano e o rural, e proporcionam acesso à alimentos frescos. Substituir o mercado tradicional pelo supermercado provou não ter valor social algum e apenas deteriora os laços comunitários existentes.

4. Projetar edifícios que atendam a lugares

Edifícios com interiores interessantes podem ser bem sucedidos para alguns, mas é a arquitetura que extrapola o interior e avança em direção à rua, se relacionando com o tecido da cidade, que é mais importante para os espaços públicos, pois esta arquitetura é construída no contato com a escala humana. É especialmente importante investir em instituições públicas como museus, edifícios governamentais e bibliotecas pois eles se relacionam com seu entorno urbano e fomentam mais oportunidades de interação interpessoal.

5. Conectar a agenda de saúde pública com a agenda de espaços públicos

Não é novidade que as cidades saudáveis oferecem a seus cidadãos infraestruturas básicas, como água potável, instalações sanitárias, acesso a alimentos saudáveis e segurança nas áreas públicas. Equipamentos de saúde deveriam servir como centros comunitários, bibliotecas deveriam proporcionar serviços de saúde e educação, mercados públicos deveriam ser fontes de alimentos frescos, baratos e nutritivos e os sistemas de transporte deveriam encorajar as caminhadas e reduzir o tráfego de carros e a poluição do ar. Quando as pessoas sentem uma sensação de pertencimentos em suas cidades, as são mais aptas a cuidar do ambiente comum e de si mesmas, resultando na redução do stress diário e na criminalidade.

6. Reinventar o planejamento comunitário

Quando for o caso de planejar projetos em comunidades estabelecidas, é muito importante identificar os talentos e habilidades daquela comunidade – pessoas que podem fornecer uma perspectiva histórica, visões de como a área funciona e um entendimento do que é realmente significativo para as pessoas do local. Planejadores deveriam sempre se relacionar com instituições locais e envolvê-las do início ao fim, já que as comunidades tem, em geral,  uma visão mais global de seus espaços públicos que os profissionais, e podem auxiliar no desenvolvimento dos projetos. Bons espaços públicos são flexíveis e respondem às evoluções do ambiente urbano, portanto, mantendo a comunidade em relação com os espaços garantirá que estes se adaptem às mudanças delas.

7. Poder de 10

O princípio da Poder de 10 é a importância de se oferecer uma variedade de coisas para se fazer em uma localização – fazendo um lugar mais que a soma de suas partes. Por exemplo, um parque não deve ser apenas um parque, mas um parque com uma fonte, um playground, uma barraquinha de comida, uma biblioteca pelas redondezas, etc. Se um bairro possui 10 lugares, e se em cada um há 10 coisas diferentes para se fazer, então este bairro está no caminho certo; e se uma cidade tem 10 bairros como este, todos os cidadãos terão acesso a excelentes espaços públicos próximos às suas casas.

8. Create a Comprehensive Public Space Agenda

Tanto estratégias de cima para baixo quanto de baixo para cima são necessárias para desenvolver, melhorar e organizar os espaços públicos – lideranças são essenciais, mas estratégias de base são também parte integral do sucesso. Uma cidade deve avaliar honestamente os espaços públicos e tomar decisões ousadas baseadas nestas análises. Por exemplo, a cidade de Nova Iorque decidiu implantar uma praça pública em cada um de seus 59 distritos comunitários; Chicago decidiu implementar uma pequena taxa para novos empreendimentos, buscando financiar melhorias nas áreas públicas; no Brasil foi lançada uma ambiciosa iniciativa de construir 800 praças públicas em comunidades de baixa reanda em todo o país ao longo dos próximos 3 anos.

9. Mais leve, mais rápido, mais barato: experiências pequenas e inteligentes

Por outro lado, maior nem sempre é a melhor solução – ou a única estratégia. Pequenas iniciativas, como criar locais de descanso, uma calçada, um café, organizar um evento comunitário, planejar um jardim ou pintar faixas de pedestres podem ter um efeito positivo nas comunidades e em seus espaços públicos. Assentamentos informais, sobretudo, já estão habituados a estratégias inovadoras e de pequena escala que se propõem a repensar o ambiente. Portanto, implantar pequenas mudanças aqui e ali pode gerar bons frutos.

10. Reestruturar o Governo para potencializar os espaços públicos

Não há como fugir disso: são necessários líderes locais, investimentos e outros recursos para criar espaços públicos bem sucedidos. Raramente há uma estrutura de poder nas comunidades que tenha em foco a criação de ambientes públicos – a estrutura pública existente muitas vezes impede a criação de espaços público bem sucedidos. Cada departamento governamental tem, em geral, uma abordagem específica e muito limitada – o sistema de transporte lida com o tráfego, os parques com as áreas verdes, etc. – mas se o objetivo de um governo e das instituições públicas é criar lugares, comunidades e regiões mais prósperas, civilizadas e atrativas para as pessoas, então os processos de governo devem mudar para refletir este objetivo. Remover os obstáculos burocráticos para rapidamente acrescentar valor aos lugares e demonstrar potencial futuro é um passo fundamental que deve ser tomado pelas administrações.

Como estas estratégias em mente, o UN-HABITAT e o PPS esperam que mais comunidades ao redor do mundo assumam a responsabilidade de criar melhores espaços para seus habitantes e façam disso sua prioridade que alimentará o desenvolvimento urbano futuro.

FONTE: http://www.archdaily.com.br/br/01-112017/dez-modos-de-transformar-as-cidades-atraves-de-placemaking-e-espacos-publicos