Bienal de Arquitetura

Tudo diferente: 10ª BIA deve se espalhar por São Paulo com uma nova proposta

Com o tema Cidades: modos de fazer, modos de usar, Bienal Internacional de Arquitetura pretende atrair não arquitetos e colocar a cidade em debate

Bianca Antunes, revista AU

Divulgação: João Mussolin/CCSP
Centro Cultural São Paulo será o principal espaço da Bienal

Recarregue seu Bilhete Único, pegue o mapa de São Paulo e saia às ruas para descobrir novos modos de fazer a cidade, e de usá-la. Essa é a proposta da 10ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (10ª BIA), prevista para acontecer em outubro e novembro de 2013 na capital paulista. A ideia é explorar o tema da cidade tanto nas exposições, com projetos pelo Brasil e pelo mundo, quanto literalmente: em vez de estar em apenas um espaço, a Bienal se apropria de São Paulo.

São pelo menos oito espaços – até agora – que devem receber exposições, todos perto do metrô ou de corredores de ônibus: Centro Cultural São Paulo, Centro Universitário Maria Antônia, Museu da Casa Brasileira, Masp, Estação Dom Pedro II, Instituto Tomie Ohtake, Cinemateca e o Teatro Oficina. Ainda há propostas de levar exposições à região mais metropolitana, em Centros Educacionais Unificados (CEUs) e nas Fábricas de Cultura, por exemplo, e para o interior, com a rede Sesc.

Cada espaço recebe um tema, e os curadores se propuseram a responsabilidade de desenvolvê-lo da forma menos tradicional possível para atingir um público maior, e não especializado. O projeto expositivo ainda não está definido, mas uma decisão foi tomada: deve instigar o debate. “É fundamental que seja uma bienal que resgate – ou que faça pela primeira vez – um contato mais profundo com não arquitetos. Não é apenas para pessoas especializadas, é também para quem não sabe ler planta e corte. É para ser uma bienal que coloque o tema da cidade na pauta geral”, afirma Guilherme Wisnik, curador desta edição da Bienal ao lado das cocuradoras Ligia Nobre e Ana Luiza Nobre, e do grupo de projetos culturais do IAB-SP.

Por isso, nada de espaços institucionais, de exposições de patrocinadores e de governo nem a tradicional – e quase sempre uma entediante sucessão de pranchas – exposição geral de arquitetos. Cada espaço recebe um tema nos quais estarão expostos projetos selecionados pela curadoria e por uma chamada aberta de trabalhos. “A chamada deverá ser pautada em um tema, com projetos que devem se encaixar no que propomos”, define Guilherme. Entre as propostas ainda não definidas, alguns filtros já são considerados: densidade, mobilidade, espaço público e infraestrutura.

Se espalhar exposições pela cidade pode sugerir desagregação, a unidade de identidade da Bienal é justamente as conexões em várias partes da urbe: uma bienal em rede. “A própria malha do metrô é um possível mote para a construção da marca, que reforça a ideia da rede, a identidade da bienal”, conta Ligia Nobre.

Esta edição marca uma mudança de gestão no instituto paulista, hoje presidido por José Armênio de Brito Cruz, que tem como um dos desafios mudar a fama degradada da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

Todos os projetos apresentados ainda estão no papel, e dependem da captação de recursos já com pedido no MinC para a lei Rouanet, com expectativa de resposta em fevereiro – quando as principais decisões devem começar a ser tomadas para transformar a Bienal em realidade nas ruas de São Paulo.

Onde acontece
Centro Cultural São Paulo
Será o principal espaço da Bienal, com exemplos de transformações urbanas – caso da High Lineem Nova York. “Queremos trazer os projetos não apenas do ponto de vista do design. A High Line, por exemplo, deve discutir o projeto de arquitetura e também as dimensões desse tipo de intervenção, como a mobilização da associação dos amigos da High Line”, explica Ligia Nobre, cocuradora da Bienal. Há intenções de fazer, ainda, debates e sessões de cinema.

Estação de Metrô Dom Pedro II
Há uma plataforma construída e abandonada na Estação Dom Pedro II, que deveria receber a linha Sudeste-Sudoeste, abortada. Desde 1980, quando foi inaugurada a estação, ninguém usou o espaço. A ideia dos curadores é utilizar essa conexão com a zona Leste da cidade para trazer projetos de arquitetos ou intervenções de artistas. “Esse aspecto de um lugar em obras nos interessa, só precisamos adequá-lo às obras de segurança”, conta Guilherme Wisnik.

Masp
Uma mostra deve comparar casas modernistas de Paulo Mendes da Rocha e Vilanova Artigas com instalações e projetos de Helio Oiticica e Cildo Meireles.

Museu da Casa Brasileira
A ideia é trazer projetos visionários, como de Sergio Bernardes, e a casa Bola, de Eduardo Longo, que fica perto do Museu e deve abrir para visitas guiadas.

Centro Universitário Maria Antonia
Aqui, Brasília é o centro das atenções, em uma exposição fotográfica que traz imagens que retratam a cidade desde sua construção – a inspiração é o livro Arquivo Brasília, organizado por Michael Wesely e Lina Kim, e publicado pela Cosac Naify.

Teatro Oficina
Deve receber workshops e conversas com arquitetos que pensem em questões para o bairro em que está, o Bexiga. O Teatro, de projeto de Lina bo Bardi, lida hoje com propostas urbanas para utilizar o quarteirão em que está inserido – e que deve ser uma das discussões da bienal nesse espaço.

Outros espaços estão em discussão para serem utilizados: Instituto Tomie Ohtake, Cinemateca, Céus, Centro Cultural Cidade Tiradentes, Fábricas de Cultura.

Fonte: http://www.piniweb.com.br//construcao/arquitetura/tudo-diferente-10-bia-deve-se-espalhar-por-sao-paulo-277171-1.asp

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