PROJETO DE PESQUISA

DIRETRIZES PARA A REQUALIFICAÇÃO DA PAISAGEM URBANA E CULTURAL DA AV. AZENHA – PORTO ALEGRE/RS

1 – INTRODUÇÃO:

1.1 – CONTEXTO:

A requalificação da paisagem urbana e cultural, também chamada de renovação urbana ou intervenção urbana, é um conceito recente, com origem na última década do século XIX. A partir do conceito americano de City Beautiful, propunha uma renovação da ‘moral urbana’. Tendo como expoentes fundamentais a Paris de Haussmann (1852) e a Viena de Franz Joseph (1857), era defendido por classes mais abastadas com a intenção de executar reformas sociais a partir de reformas urbanas (REZENDE e ULTRAMARI, 2007). “Daniel Burnham, um dos líderes do movimento, afirma: uma reforma da paisagem poderia complementar as reformas emergentes em outros setores da sociedade.” (HINES, 1991). Entretanto, conforme Rezende e Ultramari (2007), apesar da aparente preocupação social, o principal foco era financeiro, ficando as causas sociais resumidas ao desejo de cidades americanas parecem com as européias e a crença de erradicação dos problemas sociais através da moralidade e lealdade cívica, desconsiderando análises de causas mais profundas. Com o passar dos anos, porém, o conceito de renovação/requalificação urbana foi tranformando-se, originando duas correntes (REZENDE e ULTRAMARI, 2007):
 aquela que defende o papel renovador da arquitetura a nível tanto econômico quanto social – focada no poder estético, civilidade e modernidade;
 e a que defende apenas mudanças estruturais, esperando que a sociedade se transforme e só então, efetue mudanças na cidade – focada em ações de infra-estrutura urbana.

No Brasil, durante muitas décadas a segunda corrente imperou. Contudo, nos anos 2000, transformações pontuais começam a ter espaço nas discussões em função do “fracasso de grandes projetos de investimentos; o esforço válido de modernização do quadro institucional/legal urbano, porém com fraco nível de implementação; e o sinal de novo esmorecimento sem se poder vislumbrar algo novo” (REZENDE e ULTRAMARI, 2007). O conceito de requalificação urbana passa a apoiar-se em aspectos econômicos, físicos e sociais. Dependente de um projeto urbano – objeto que tem como foco principal equalizar políticas públicas (infra estrutura), sociais e privadas – ajusta a paisagem a partir de um programa de necessidades considerando passado, presente e futuro (JÁUREGUI). A palavra paisagem, durante séculos, foi utilizada para designar apenas o produto da arte de representar, através da pintura, uma situação enquadrada em uma realidade geográfica bela. Com o passar dos tempos, cenas bucólicas e rurais dão lugar às cidades urbanizadas e o conceito de paisagem precisa se modificar ou corre o risco de morrer: o olhar necessita dissociar-se do bucólico – cada vez mais raro – e reconhecer uma paisagem independente deste (ALVES, 2001). Partindo da premissa de que o palco da paisagem urbana e cultural é o “espaço urbano [que], enquanto território, possui a propriedade de estabelecer relações entre os indivíduos, seja como base material de seu desenvolvimento, seja como locus de relações de poder e estratégias identitárias” (HAESBAERT, 2001), pode-se concluir que a paisagem da cidade traduz não somente a situação físico-territorial de um espaço, mas também as afetividades das gentes, seus jeitos e modos, revelando o inconsciente popular, indissociável que é de seu povo e de sua condição social. Logo, requalificar é compor um movimento contínuo e abrangente entre a paisagem e o espaço urbano, considerando o triângulo poder público x poder privado x questão social.

1.2 – PROBLEMA DE PESQUISA:

A cidade em que vivemos não é a projeção adequada da sociedade no seu conjunto, mas um mecanismo mais rígido, que serve para retardar e apagar as transformações em todos os outros campos, a fim de fazer com que dure mais tempo a hierarquia dos interesses consolidados. Os inconvenientes técnicos que todos conhecemos – o congestionamento do tráfego, a densidade das construções, a escassez dos serviços, a deterioração do ambiente natural – não são conseqüências inevitáveis da vida moderna, mas o preço pago para conservar uma combinação de poderes agora já em contraste com as possibilidades proporcionadas pelo desenvolvimento tecnológico e econômico (BENEVOLO, 1981). Discutir e estudar as condições das urbes atuais, tanto em níveis físico-territoriais quanto em importância e relevância da participação de seus habitantes neste processo, é necessário, pois “para se conseguir um ambiente bonito [paisagem] é preciso reconhecer o significado complexo e unitário dos artefatos que formam os cenários da vida humana e propor-se a melhorá-lo de forma abrangente” (BENEVOLO, 1981). Contudo, “apesar das novidades e mudanças entre o poder público e os poderes privados, dos novos instrumentos urbanísticos e dos novos arranjos institucionais, ainda é o Estado o principal motor e fiador de todos os processos, evidentemente em articulação com os setores da sociedade que lhe dão suporte” (BIENENSTEIN, NOVAIS, OLIVEIRA et al., 2006). Prova de que “a cidade não é apenas um objeto percebido (e desfrutado) por milhões de pessoas de classes sociais e características extremamente diversas, mas também o produto de muitos construtores, que por razões próprias nunca deixam de modificar esta estrutura” (LYNCH, 1997), é o fato de ‘pipocarem’ na esfera público-privada propostas de intervenções importantes para a Av. Azenha e arredores. Sugestões de melhorias para a área foram o resultado de um encontro entre OAS (incorporadora do setor privado), o Comitê do Programa Cresce Porto Alegre (PMPA) e a ANA (Associação Nova Azenha – representante dos proprietários locais). Padronização de passeios, programação visual, colocação de bancos, floreiras, marco de entrada para a área comercial, entre outras, são algumas sugestões (SIMON, 2010). Para SOUSA (2000), a análise da dinâmica da sociedade civil, freqüentemente negligenciada pelos ‘planejadores alternativos’ brasileiros (e, obviamente, mais ainda pelos planejadores e gestores convencionais), deve ser valorizada. Infelizmente, as notícias não são boas a esse respeito. O ativismo de bairro […] perdeu muito de sua força a partir de fins dos anos 80, não havendo, no atual cenário urbano, nenhum movimento social digno de nota que possa funcionar como fator de mobilização e aglutinação. A percepção e entendimento dos movimentos culturais e sociais que povoam o coletivo da cidade são imprescindíveis para determinar a problemática da paisagem urbana e cultural como um todo, a fim de identificar, gerir e planejar necessidades de requalificações que englobem não somente a sua conservação, mas que incluam no processo a sua evolução (CASTRIOTA, 2009). A destruição da paisagem urbana e cultural da Av. Azenha é um fato percebido a partir da demolição de três prédios do período neo clássico, datados de 1910, apesar dos protestos de alguns moradores. O lugar será ocupado por um empreendimento imobiliário residencial a ser construído pelo setor privado. A prefeitura autorizou a demolição dos prédios históricos sem maiores questionamentos quanto a sua relevância cultural, negligenciando os desejos da sociedade local e privilegiando a ação privada em detrimento de possíveis interesses públicos (ZERO HORA, 2010). Em REZENDE e ULTRAMARI (2007) vemos que “atuais e necessários, os projetos de renovações urbanas em geral têm uma tímida ou demorada implementação por força de políticas públicas pouco favoráveis, dificuldades orçamentárias e legislações sob o espaço urbano engessadas, [porém] […] projetos mais ambiciosos têm buscado uma discussão sobre o futuro das cidades com a participação dos diversos agentes envolvidos”. Os protestos por parte da população local quando da demolição dos três prédios neo-clássicos, a falta um projeto urbano pelo poder público para a área, somando a iniciativa privada de lançar propostas de melhorias, mostra que o diálogo entre as figuras do gestor público, da sociedade local e do gestor privado não ocorre. A falta de um agente aglutinador que equalize este diálogo fica clara, embora todos apontem para o mesmo querer: requalificação. Baseando-se na afirmação de que “o significado mais básico de projeto de espaço dotado de uma ‘qualidade’ urbana [é] onde a população se reconheça e se aproprie” (GOMES, 2005), a composição de diretrizes para uma proposta – e posterior implantação – de um projeto de requalificação urbana na área urge. Com efeito, estas diretrizes configuram o diálogo entre o poder público e privado com a sociedade local, compreendendo o anseio de cada parte envolvida no processo, pois a “requalificação de uma paisagem urbana e cultural não pretende a destruição do existente, mas o aproveitamento do que já está consolidado aliado à propostas de adequação às novas necessidades urbanas” (CASTRIOTA, 2009).

2 – JUSTIFICATIVA:
“Os efeitos da última reestruturação pela qual passou o modo de produção capitalista tiveram ascendência inequívoca sobre a metamorfose urbana nos países centrais, de
1920 a 1970” (SOJA, 1993). “Através de processos da chamada ‘modernização’ fordista, o espaço de reprodução do capital é alterado substancialmente. Como reflexo da ação desses processos, cabe destacar a desconcentração da produção industrial em torno do centro da cidade e a formação dos núcleos secundários, descentralizando as atividades comerciais e de serviços (terciarização)” (SANTOS, 2005). Com efeito, é visível a deterioração de paisagens urbanas e culturais, pois a globalização as unifica (BARREIRA, 2007) e “lugares [que] possuem capacidade de transmitir mensagens que serão interpretadas como revelação de certos sinais codificados” (KOHLSDORF, 1996) tornam-se iguais. Segundo Harvey (2001), luta-se pela transformação dos espaços a fim de se tornarem cada vez mais atraentes para os capitalistas e, assim, para o investimento privado, ou seja, inicia-se um processo de produção ativa de lugares. Novas práticas nacionais usam a mobilidade geográfica e a descentralização como vantagem locacional, transformando o espaço em trunfo para uso no sistema capitalista (HARVEY, 2001). Contudo, “as inovações tecnológicas passam a ser o elemento crucial em uma economia baseada cada vez mais no desenvolvimento do conhecimento. Elas fazem parte de um sistema internacional e de uma rede de atividades que também vão proporcionar uma base para novas formas de organização territorial” (SIMMIE, 2001). Ainda segundo Harvey (2001), a prática do projeto urbano surge como alternativa ao planejamento das cidades já que se apóia nas tradições vernáculas, nas histórias locais, nos desejos e nas necessidades e fantasias particulares, gerando formas arquitetônicas especializadas e sob medida, concretizando a mudança de paradigma na forma de intervir no espaço urbano. Esta impulsão se reflete na reabilitação de paisagens e na recuperação da história, gerando também fenômenos como o fascínio pelo embelezamento urbano e o conseqüente processo de gentrificação.
Em grandes centros urbanos como Espanha, Londres, Estados Unidos e Itália, países física e socialmente muito diferentes, a “avaliação da dimensão estética dos projetos e sua inserção na paisagem é cuidadosamente estudada, medida e avaliada, porém em outros países como o Brasil é praticamente inexistente, demonstrando a ausência de preocupação e controle sobre a qualidade da aparência visual das cidades e da paisagem urbana (CULLEN, 1983; NASAR, 1998; STAMPS, 2000; DE GRACIA, 1992; ARGAN, 2005). A partir da análise da experiência internacional, percebe-se que em todas as propostas as particularidades dos locais são um fator preponderante de análise da problemática urbana e, quando corretamente traduzidos, trazem sucesso à ação urbana de forma contundente (CAMPOS e SOMEKH, 2005). No Brasil, “muitas dessas experiências [urbanísticas] escapam da construção conceitual do termo projeto urbano – o que exigiria uma série de posicionamentos, principalmente, quanto aos aspectos que deveriam ser tratados na estratégia de intervenção” (MARQUES e SOMEKH, 2006). Vários questionamentos pertinentes ao assunto ainda não têm respostas, o que não impede que ações sejam propostas e implantadas com sucesso (MARQUES e SOMEKH, 2006). A análise de casos nacionais justifica que a requalificação urbana no Brasil é possível (CAMPOS e SOMEKH, 2005).
Em A Imagem da Cidade, LYNCH (1997) nos diz “que os elementos móveis de uma cidade, especialmente as pessoas e as suas atividades, são tão importantes quanto as suas partes físicas e imóveis.” Segundo Stamps, “sentimentos estéticos podem ser considerados como parte das necessidades das pessoas. A estética é muito mais do que somente prazer dos olhos. Ela afeta o sentimento das pessoas e está ligada à metas psicológicas, sociais, econômicas e políticas”. Na linha da psicologia da Gestalt encontramos referências fundamentais que “nos mostram que a psicologia coletiva é parte fundamental para estudos de forma e estética da qualidade da paisagem urbana” (ZERBINI, 2002, REIS, et al., 2004). Várias outras linhas da psicologia confirmam o argumento de que o estudo da paisagem urbana e cultural é fundamental não somente para preservar o bem estar da população, mas também para despertar sentimento de apropriação, identificação social e responsabilidade pelo espaço por parte das pessoas que o usufruem (STAMPS, 2000; SANOFF, 1991; NASAR, 1988). Stamps (1989) justifica a importância de seus estudos sobre a qualidade visual do ambiente percebido, baseando-se no fato de que a estética da paisagem urbana está relacionada com a necessidade humana de ter sensações agradáveis. Dito isso, conclui-se que é imprescindível que o processo de planejamento urbano leve em consideração percepções positivas da sociedade local usuária de um espaço. Descaracterizada a sociedade que representa uma paisagem, forma o caos nem sempre benéfico a quem vive e usa estas zonas urbanas (BOTELHO, 2010): forma-se um círculo vicioso e uma espécie antropofagia urbana, onde a cidade engole o cidadão que engole a cidade e assim por diante, ad infinitum.
Em Porto Alegre, o conceito de shopping a céu aberto está tomando força: o Shopping Paseo e o Granville, ambos no bairro Tristeza, e o Centro Comercial Nova Olaria, na Cidade Baixa, são exemplos consolidados de shoppings a céu aberto (em que pese as diferenças de público). Projetos futuros a serem inseridos nos bairros Moinhos de Vento e Bela Vista estão nos planos das construtoras, mas são empreendimentos essencialmente privados, direcionados à população com maior poder aquisitivo (ZERO HORA, 2010). A Av. Azenha apresenta-se como um shopping a céu aberto já há muitos anos. Contudo, nota-se que deixa a desejar em termos de estética e funcionalidade quando comparada com os exemplos citados. Considerando que a “paisagem urbana é sempre uma paisagem social, fruto da ação da cultura sobre a natureza, obra do homem a transformar o meio ambiente” (PESAVENTO, 2005), torna-se vital para a cidade consolidar ou revitalizar paisagens urbanas e culturais em áreas de relevância para a população de menor poder aquisitivo. Dentro do conceito de democracia, é importante que a cidade atenda este nicho menos privilegiado da sociedade, pois: a subserviência e a excessiva tolerância dos pobres (em grande parte afro-descendentes) e […] o mandonismo hiper arrogante […] das elites urbanas da maior parte do Brasil, acostumados a serem servidos e a verem a servidão e o servilismo como fenômenos tão naturais quanto as chuvas de verão, a região Sul é, em parte, uma exceção, devido à influência ora de estruturas agrárias menos concentradas, ora, pelo menos, de relações menos desiguais entre patrões e empregados, mesmo no contexto do latifúndio pecuarista; e, de todo modo, devido ao muito menor peso da tradição escravocrata. É razoável imputar pelo menos uma parte do sucesso de Porto Alegre a um ambiente político-culturalmente favorável, exatamente por essa razão (SOUSA, 2001).
De origem rural, a denominação Azenha – moinho de roda movido à água; atafona – vincula-se à atividade de moagem de trigo que foi iniciada na região em meados da metade do século XVIII pelo açoriano Francisco Antônio da Silveira, o Chico da Azenha (FRANCO, 1992). Com o passar dos anos e com a construção de uma ponte ligando as duas margens do Arroio Dilúvio, uma implantação urbana desordenada transformou a Av. Azenha em uma paisagem caótica e sem narrativa. Apesar disso, representa hoje um dos mais importantes e variados pólos comerciais de Porto Alegre – de vestuário a autopeças. Fora do centro da cidade, é visitada diariamente por moradores de outros bairros
(FRANCO, 2002; ÁVILA, 1977) (ZERO HORA, 2010) e tem em seu passado intrínseca importância junto ao desenvolvimento de grande parte da cidade (FRANCO, 1992). Merece, pois, um tratamento urbano adequado e digno à revitalizar sua identidade, pois “[…] o desenvolvimento urbano é um processo (infinito) de conquista de melhor qualidade de vida para a maior parcela possível da população e, simultaneamente, de maior justiça social” (SOUZA, 1998 e 2000).

3 – OBJETIVOS:

A partir de questões colocadas no problema de pesquisa, este trabalho tem como objetivo principal estabelecer diretrizes para nortear propostas futuras de requalificação da paisagem urbana e cultural da Av. Azenha. Para tanto, desmembram-se objetivos secundários e específicos. São eles:

01 – OBJETIVO SECUNDÁRIO: Diagnóstico de problemas de estrutura morfológica urbana.

-OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

 Preservação/catalogação do patrimônio cultural existente.
 Resgate histórico.  Contribuição para o reforço, coligação e qualificação dos espaços funcionais existentes ou latentes – rede de equipamentos e os sistemas de espaços de configuração local.  Melhoramento e reestruturação da imagem urbana.  Melhoramento das redes das infraestruturas urbanísticas.  Ordenamento funcional baseado em soluções simultaneamente flexíveis e perenes.  Implementação e melhoria de mobiliário e sinalização urbanos.  Configuração de identidade urbana;  Orientação espacial.

02 – OBJETIVO SECUNDÁRIO: Identificação de benefícios – geração de valor.

– OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
 Melhoria de qualidade de vida.
 Melhoria da percepção de segurança.
 Melhoria do tráfego de trânsito e pedestres.
 Valorização imobiliária.
 Afirmação de estruturas espaciais com capacidade significante que permita a “construção de factores de memória”.
 Incentivo à geração de empregos.

OBJETIVO PRINCIPAL: Ajuste de dispositivos legais.

– OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
 Ajustar políticas de gestão pública.
 Revisão/análise de usos.
 Análise da flexibilidade da legislação.
 Criação/regramento de índices de aplicabilidade de programação visual.

4 – METODOLOGIA:

Primeiramente será realizada uma revisão bibliográfica tanto em bibliotecas como em sites de internet (bibliografias consagradas, sites, dissertações, artigos, teses, projetos de requalificações e revitalizações de patrimônio e paisagem urbana e cultural, exemplos de planos de revitalizações implantados em casos semelhantes, etc.) através de palavras-chave como: ‘história da Av. Azenha’, ‘revitalização urbana’, ‘requalificação urbana’, ‘estudo da paisagem’, ‘paisagem cultural’, ‘paisagem urbana’, ‘patrimônio cultural’, ‘shopping a céu aberto’, ‘morfologia da paisagem urbana’, ‘psicologia urbana’, ‘estética urbana’, ‘percepção sensorial da estética’, etc. a fim de adquirir e organizar o material sobre o tema. De posse da revisão bibliográfica, serão feitas análises preliminares de casos já implantados com sucesso e afins com o tema proposto. Após, serão usadas as fontes de evidência abaixo referenciadas:

4.1 – COLETA DE DADOS:

4.1.1 – OBSERVAÇÃO:

 Observação de comportamento: detectar usos dos espaços. Com isso, é possível inferir como o ambiente construído interfere nos comportamentos e atividades de seus usuários (REIS e LAY, 1995).
 Observações de traços físicos: consistem em olhar sistematicamente o espaço físico à procura de vestígios deixados por atividades/comportamentos, que podem sugerir atitudes (REIS e LAY, 1995).

4.1.2 – COLETA DOCUMENTAL:
 Levantamento de documentos (plantas, cortes, fachadas, etc.) junto ao poder público (arquivo público) e privado (construtoras, profissionais da construção civil, etc.) da área.
 Levantamento de documentação junto a órgãos de segurança pública relativos a áreas seguras x áreas de risco.
 Levantamento de documentação junto a órgãos públicos (EPTC, etc.) relativos ao fluxo de trânsito x pedestres.
 Levantamento fotográfico in loco.
 Levantamento de documentação/índices do PDDUA-POA;
 Levantamento do histórico da área – linha do tempo;

4.1.3 – MAPA MENTAL: Mapas mentais são imagens específicas que as pessoas possuem do ambiente físico e que afetam o comportamento espacial (RAPOPORT, 1978). De forma simplificada, consiste em solicitar ao informante descrições gráficas e verbais de um determinado lugar, com o objetivo de detectar como ele percebe o ambiente, identificando os elementos estruturadores de sua forma. Revelam informações que demonstram como as pessoas estruturam o ambiente físico, os elementos que julgam importantes ou possuem uma forte imagem, e as implicações das estruturas físicas para a orientação e uso dos espaços.

4.1.4 – ANÁLISE SINTÁTICA: A Sintaxe Espacial é uma metodologia de análise da configuração do espaço urbano que estuda as possibilidades de encontros e desencontros, ou seja, os fluxos que ocorrem. Ela possibilita revelar, entre outras coisas, o potencial de movimento de determinado espaço. Segundo Hillier (1988), a estrutura morfológica de um sistema espacial é responsável pelo padrão de uso natural do espaço e do movimento, sendo preponderante sobre outros fatores para o nível geral do uso dos espaços constituintes desse sistema. 4.1.5 – ENTREVISTAS: Refere-se à aplicação de questionários junto à usuários do espaço. Consistem em questionários que avaliem a percepção sensorial e identifiquem o perfil do usurário quanto à esta percepção. Durante o processo de pesquisa serão determinadas as perguntas chave para a composição dos questionários considerando-se estudos consagrados de percepção sensorial. 4.2 – ANÁLISE DOS RESULTADOS: A partir da coleta dos dados, pretende-se análise dos mesmos cruzando as informações resultantes através da montagem de:
 Mapas.
 Gráficos.
 Desenhos esquemáticos.
 Desenho de volumetria.
 Tabelas.
 Imagens.
Quando finalizado este material, a partir de sua análise, as diretrizes para o projeto de requalificação da paisagem urbana e cultural da Av. Azenha serão elaboradas.

6 – BIBLIOGRAFIA:

6.1 – LIVROS E PERIÓDICOS:

ALVES, Teresa – Paisagem: em busca do lugar perdido. Finisterra, p.67-74, 2001.

BARREIRA, Iris Alencar F. – Usos da cidade: conflitos simbólicos em torno da memória e imagem de um bairro – Análise Social vol. XLII (182). p. 163-180, 2007.

BENEVOLO, Leonardo – A cidade e o arquiteto: método e história na arquitetura. Ed. Perspectiva – São Paulo, 1923.

BENEVOLO, Leonardo – História da Cidade – Ed. Perspectiva – São Paulo, 1997.

BOTELHO, Tarcísio R. – Revitalização de centros urbanos no Brasil: uma análise comparativa das experiências de Vitória, Fortaleza e São Luís. Revista Eure vol. XXXI, n. 93, p. 53-71, Santiago do Chile, 2005.

CAMPOS, Cândido Malta eSOMEKH, Nadia – Desenvolvimento local e projetos urbanos – Portal Vitruvius, Periódico Arquitextos n. 059, 2005. CASTELO, Lineu – Da sustentabilidade da subjetividade: o projeto IBA Emscher Park – artigo.

CASTRIOTA, Leonardo Barci – Patrimônio cultural: conceitos, políticas, instrumentos – São Paulo, Ed. Annablume, Belo Horizonte IEDS, 2009.

CHOAY, Fraçoise – O Urbanismo – Ed. Perspectiva – São Paulo, 1992.

COMPANS, Rose – Intervenções de recuperação e zonas urbanas centrais: experiências nacionais e internacionais.

CULLEN, Gordon – A Paisagem Urbana – Ed. Martins Fontes – Lisboa, 1983.

_______Dados do censo/IBGE 2000. FRANCO, Sérgio da Costa – Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1992.

GABBARDO, Elias Noé – Publi(cidade): anunciando o espaço urbano para o consumo – Porto Alegre: UFRGS, 2009 – Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional). Orientação de Célia Ferraz de Souza – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. HISTÓRIA da Azenha. Jornal Correio do Povo, outubro, 1978. p. 77.

_______Histórias dos Bairros de Porto Alegre – Centro de Pesquisa Histórica – Coordenação da Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura.

JÁUREGUI, Jorge Mário – Cidade Formal: rua do Catete/RJ – artigo.

KOHLSDORF, Maria Elaine – A Apreensão da Forma da Cidade – Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996.

LYNCH, Kevin – A Imagem da Cidade – São Paulo – Ed. Martins Fontes, 1997.

MACEDO, Francisco Riopardense de – História de Porto Alegre. Editora da Universidade – UFRGS, 1993.

MARQUES, Juliana Di C. Margini e SOMEKH, Nadia – Projetos Motores e Transformações Urbanas – USJT/Informe, 2006. MEDEIROS, Wilton. – Artigo: Novo Patrimônio: decifração da cidade e iniciação urbana – Revista Vitruvius: Arquitextos – Ano 06, setembro, 2005.

MEIRA, Ana Lúcia Goelzer – Patrimônio Histórico e artístico Nacional no Rio Grande do Sul no séc. XX – Atribuições de valores e critérios de intervenção – Porto Alegre: UFRGS, 2008 – Dissertação (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional). Orientação de Sandra Jatahy Pesavento – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. NASAR, Jack L. – The evaluative image of the city – California: Thousands Oaks, 1998.
_______Patrimônio Arquitetônico x Qualidade Visual no cenário urbano: um caso para a avaliação ambiental de Pelotas/RS – Porto Alegre: UFRGS, 2000. Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

OLIVEIRA, Fabrício Leal, et al. – Grandes Projetos Urbanos: a experiência brasileira – artigo, 2006.

PESAVENTO, Sandra Jatahy – O Espetáculo da Rua. Porto Alegre: UFRGS, 1992.

PORTELLA, Adriana Araújo – A qualidade visual dos centros de comércio e a legibilidade dos anúncios comerciais – Porto Alegre: UFRGS, 2003 – Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional). Orientação de Antônio Tacísio da Luz Reis – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

REIS, Nestor Goulart – O Método e a Tradição do Patrimônio. Texto apresentado no VII ENCONTRO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO, ARQUITETURA E URBANISMO: A CIDADE REVELADA – Itajaí, 2004.

REZENDE, Denis Alcides e ULTRAMARI, Clovis – Grandes Projetos Urbanos: conceitos e referenciais – Porto Alegre: Revista Ambiente Construído, 2007.

RODRIGUES, Miriam Sartori – A contribuição do patrimônio cultural na qualidade visual da paisagem urbana – Porto Alegre: UFRGS, 2010 – Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional). Orientação de Maria Cristina Dias Lay – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

STAMPS, Arthur E. – Psychology and the aesthetics of the building environment. São Francisco: Kluwe Academic Publischer, 2000.

TELES, Luiz Benedito de Castro – Cidades para um pequeno planeta: Richard Rogers. AE Resenhas Vol. I n. 02, p. 1-16, outubro, 2006.

WYLKOSZYNSKI, Artur do Canto – Imagens da Arquitetura: narrativas do imaginário urbano em Porto Alegre – Porto Alegre: UFRGS, 2006 – Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional). Orientação de Sandra Jatahy Pesavento – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

ZERBINI, Ana e REIS, Antônio – Composição Visual e Compatibilidade formal em Praças Centrais de Porto Alegre – IX Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído – Foz do Iguaçu, Brasil, 2002.

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6.2 – SÍTIOS WEB:

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SIMON, Gilberto – A revitalização da Azenha entra em debate. Porto Alegre, 2010. Disponível em: < http://portoimagem.wordpress.com/ > Acesso em: 04 out. 2011.

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